Buscar
  • Seminário Nossa Senhora das Dores

EPIFANIA DO SENHOR – ANO B

Caminhando dentro do Ano Litúrgico, nos deparamos com a Festa da Epifania do Senhor que nos ajuda a perceber como Deus se manifesta nos dias de hoje, com uma grande convocação de Deus para nós: encontrar forças para tornar humano e fraterno nosso mundo.

A Primeira Leitura, extraída do livro do Profeta Isaías, nos trás a história da cidade de Jerusalém no período do ‘pós-exílio’. Jerusalém está debilitada porque a organização política daquele tempo não permitia recursos àqueles que estavam voltando para suas casas. Diante dessa situação difícil, a nossa pergunta seria: será que Deus abandonou seu povo e a cidade de Jerusalém? E a resposta vem durante a leitura: o anúncio do profeta convida a cidade a erguer-se, pois agora está iluminada pela estrela de Deus, a luz de brilho eterno; enquanto há apenas trevas em todo o mundo, em Jerusalém há luz e esplendor.

A presença de Deus na cidade põe em movimento todas as nações, que começam a peregrinação para a cidade-luz. Tudo isso porque Deus se levanta sobre a cidade, manifestando aí sua glória. Com isso, podemos refletir durante essa primeira semana de 2021: quais são as nuvens escuras que ainda insistem em envolver nosso mundo, nosso país e nossa vida? Como percebemos a estrela de Belém em meio a tudo isso?

No evangelho, Mateus contextualiza a manifestação de Deus, a sua Epifania e aqui podemos fazer uma relação com a leitura de Isaías, porém o evangelista nos apresenta o nome dessa escuridão: Herodes e suas ações. O horror espalhado por Herodes simboliza as nuvens escuras que cercam a terra. Nascer na época de Herodes significa nascer em um período escuro e muito difícil. Mesmo assim, a luz do Menino Deus não foi apagada, seu brilho atinge as terras do extremo Oriente, atraindo magos que vêm adorá-lo.

O gesto dos magos diante do Menino Jesus é um reconhecimento do que o profeta disse: Eles se ajoelharam diante de Maria e da criança e em seguida abriram o cofre e retiraram três presentes. Eles eram: o ouro – representando a realeza de Jesus; o incenso – representando a divindade deste rei; e mirra – representando a doação da vida até as últimas consequências que era a missão deste novo rei. Esses presentes simbolizam o tipo de rei que ali está: um rei diferente de todos os reis que havia tido antes, porque o verdadeiro rei dos judeus não era maldoso, arrogante e político quanto Herodes. O verdadeiro rei dos judeus é um recém-nascido, cujas raízes estão enraizadas na insatisfação e necessidades básicas do povo formando assim um poder de massa alternativo, ou seja, ele é um rei como o pastor Davi.

Observando a imagem dos Magos no presépio, temos o verdadeiro tipo de adoradores, verdadeiros admiradores: Em tantos conflitos, eles descobrem que a salvação não pode ser alcançada pelas ações violentas de um poderoso tirano, nem pela religião servil dominadora de Herodes, mas a salvação vem através do Deus encarnado, o Emanuel. Os magos são os primeiros a intuir isso, e seu desejo é adorar esse novo poder que nasce em meio a periferia do mundo.

Portanto, a liturgia desse final de semana nos ensina uma nova oportunidade para o discernimento porque a salvação não vem dos poderosos, mas do menino-pastor. Peçamos força para entendermos a lógica da encarnação, pois quem entende essa lógica do Deus que nasce na periferia do mundo será capaz de uma ação que desestabilize os Herodes de hoje.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.


Guilherme Costa Ribeiro

2º Ano da Etapa do Discipulado - Filosofia