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  • Seminário Nossa Senhora das Dores

“Salve, cruz, nossa única esperança”



Este é o último domingo da quaresma e, ao nos aproximarmos cada vez mais da Semana Santa, a liturgia nos direciona para o mistério da cruz, que culminará na ressurreição do Senhor. Há uma antiga sentença latina que nos ajuda a compreender bem o que a Palavra de Deus nos ensina hoje: “Per crucem ad lucem”, isto é, “Pela cruz vamos à luz”.

O Evangelho de João (cf. 12, 20-33) mostra-nos que a glorificação de Deus acontece pela cruz (v. 28). Trata-se de um paradoxo, ou seja, uma realidade aparentemente contraditória, já que “glória” e “sofrimento” são entendidos costumeiramente como coisas opostas. Mas não para Deus! Porque ele nos mostrou que a glória é fruto do amor que se entrega totalmente, até as últimas consequências, e que sempre nos conduz para um bem maior.

Por isto Jesus se sente angustiado e aflito (v. 27): pois sabe que passará pela dor e pela morte, difíceis mesmo para ele que, embora Deus, assumiu em tudo a condição humana, exceto o pecado (cf. Hb 4, 15). Entretanto, ao mesmo tempo, ele está seguro da sua missão, revelando, assim, a grandeza de sua obediência e fidelidade ao projeto do Pai: não foi fácil, todavia assumiu o que era necessário para a nossa salvação, porque nos ama; e mostrando que a cruz não tem a última palavra: “é passagem obrigatória, mas não é a meta, é uma passagem: a meta é a glória” (Papa Francisco).

Isso significa que não há Páscoa sem cruz, tampouco cruz sem ressurreição. Portanto, “Per crucem ad lucem”: chega-se à luz através da cruz. E isso vale também para nós. Quem se dispõe a seguir o Cristo, dando-lhe a vida, precisa assumir as consequências, muitas vezes dolorosas, desse seguimento. Apesar do susto que isso pode nos causar, a palavra de Jesus é clara: “Se alguém quer servir-me, siga-me” (Jo 12, 25) e desse modo será possível ganhar a vida eterna (cf. Jo 12, 24). É duro, mas vale a pena!

Estamos numa sociedade marcada pelo desejo de felicidade, prazer e contentamento a qualquer custo, porém sabemos que é impossível viver assim. Na vida há percalços inevitáveis. Nesse mundo, nós, cristãos, devemos testemunhar a verdade da cruz, que ressignificando toda dor e sofrimento, torna-se mensagem de salvação e esperança. Desse modo, atraídos pelo Senhor (cf. Jo 12, 32), poderemos com toda força exclamar: “Salve, cruz, nossa única esperança”, sobretudo em tempos tão difíceis como os que vivemos atualmente.


Gabriel Henrique da Silva

2º ano da etapa da Configuração (Teologia)