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  • Seminário Nossa Senhora das Dores

UM GRITO DE DOR E DE ESPERANÇA NO MARTÍRIO DOS INOCENTES

Ao chegar o tempo do Natal, nos deparamos na Sagrada Escritura com o relato evangélico de São Mateus sobre o nascimento de Jesus. Ainda nesse relato um outro cenário nos chama a atenção: Herodes, enfurecido pela desobediência dos reis magos em não lhe informar o local do nascimento do novo Rei, ordena aos seus guardas que matassem todas as crianças menores ou de idade igual a 2 anos(cf. Mt 2, 11-20).

Não se sabe com exatidão o número de crianças mortas por causa do edito do rei Herodes, porém sabemos que foram muitas. Usando de uma analogia, essas crianças, assim como João Batista, precederam e anunciaram que, uma criança maior que elas, também sofreria perseguição e morreria.

O relato também nos chama a atenção para o martírio. Certamente essas crianças não tinham consciência do motivo de suas mortes, ou da loucura/tirania do rei que as governava, porém, mesmo de forma indireta, a morte delas já era um martírio, uma entrega por causa de um objetivo maior.

Vale ressaltar que na Bíblia essa não é a primeira vez que um tirano ordena a morte de crianças inocentes. No Antigo Testamento, no livro do Êxodo, temos o relato da vida de Moisés e da ordem do faraó para que todos os meninos recém-nascidos fossem mortos. Porém, Moisés ao nascer é colocado dentro de uma cesta num rio até a filha do faraó pegá-lo (cf. Ex 1-2).

Ambas as histórias tratam da libertação do povo de Deus: no Antigo Testamento, sob a ótica da escravidão egípcia; já no Novo Testamento, com o nascimento do Filho de Deus, o cumprimento da Nova e Eterna Aliança: o sacrifício de um se torna a salvação de todos.

Que neste dia, ao celebrarmos a festa do martírio dos Santos Inocentes, possamos elevar a Deus uma prece por aqueles e aquelas que, sem voz e nem vez, são sacrificados pela indiferença da sociedade, pela prepotência dos governantes e por tantos outros pecados sociais que atingem os mais pobres, oprimidos e descartado pelo discurso anti-humano do ódio e do preconceito.

Santos inocentes, intercedei por todas as nossas crianças. Assim seja. Amém!


Seminarista Danilo Castro Silva