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  • Seminário Nossa Senhora das Dores

XXVI Domingo do Tempo Comum




A Palavra de Cristo dirigida aos discípulos sempre é carregada de misericórdia, ainda que não consigamos ter isso evidente diante de nós. Isso porque nossos conceitos, sem o devido discernimento, se esvaziam de significado e podem cair no reducionismo. Muitas palavras duras e motivações de correção não significam falta de amor, e nem sempre as palavras mais doces e tranquilas significam sinceridade.

A compreensão geral das Escrituras nos leva a entender que Deus, mesmo quando corrige, está de fato buscando a conversão de quem erra. Sua alegria não está em condenar, subjugar ou castigar, mas em mostrar o caminho a quem se perde, para que se encontre novamente: “Não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que ele volte, se converta e tenha vida” (Ez 33,11).

As palavras ditas por Cristo no Evangelho de hoje, se lidas ao pé da letra, literalmente, seria uma prática cristã macabra, uma vez que a mutilação seria parte de santificação. Mas a proposta é espiritual: cortar o mal pela raiz, eliminar vícios e ocasiões de pecado, se purificar de coisas perigosas no caminho da salvação. E não é somente evitar, passivamente, mas encarar as fraquezas, assumir a pequenez humana e com coragem se esforçar para expulsar da vida o que nos afasta de Deus. A proposta é de conversão total a ele, sem que nenhum membro possa atrapalhar. Uma mão viciada poderia comprometer o braço todo e, consequentemente, o corpo todo. Pequenos vícios e pecados são tão perigosos que dominam uma pessoa pouco a pouco, levando-a a grandes erros. Por isso a imagem de “cortar os membros que levam a pecar”, ou seja, conversão nos pecados mínimos, contra Deus, contra o irmão ou contra si mesmo.

Assim sendo, essa proposta de Jesus, que antes era um processo de diminuição do ser humano, mutilando o que era entendido como ruim, agora se torna um processo de crescimento e maturação, um caminho de fé que avança e ultrapassa os limites sensíveis, e coloca nosso ser todo em harmonia. Não só nossa alma, mas também nosso corpo foi santificado e tornado digno de aguardar a ressurreição. Possamos nós, com o auxílio do Espirito Santo, valorizar essa dignidade alcançada e vencer a cada dia tudo o que nos leva para longe do coração de Deus.


Cleyton Welinton Fernandes - ii Ano da Etapa Configurativa (Teologia)